Instrutor, professor e intérprete de libras: disputas de função no concurso público de Jataí (2019)

ROLE DISPUTES IN THE JATAÍ PUBLIC CONTEST (2019)

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.69843/rir.v22iUnico.77183

Palabras clave:

Educação de surdos, Libras, Professor surdo.

Resumen

A presença de estudantes surdos nos anos iniciais da educação básica demanda políticas educacionais que garantam o acesso precoce à Língua Brasileira de Sinais (Libras), assegurando o direito linguístico e cultural previsto na Lei nº 10.436/2002 e no Decreto nº 5.626/2005. Este artigo analisa criticamente o concurso público realizado pela Prefeitura de Jataí (Goiás) em 2019, que previa vagas para “Instrutor de Libras”, mas cujas atribuições correspondiam, em grande parte, às de intérprete de Libras. O estudo baseia-se em análise documental do edital oficial e em referenciais teóricos sobre aquisição da Libras, identidade surda e a distinção entre professor/instrutor surdo e intérprete de Libras (Quadros; Karnopp, 2004; Skliar, 2013; Lacerda, 2009; Strobel, 2008; Perlin, 2013). Verificamos que, apesar de o cargo prever requisitos de nível superior (Pedagogia, Letras/Libras ou Licenciatura), a função descrita era a de tradução/interpretação entre português e Libras, restringindo a participação de candidatos surdos e inviabilizando o papel de modelo linguístico e cultural nos anos iniciais. Dos 18 inscritos, apenas 5 eram surdos, e nenhum obteve êxito em razão da discrepância entre cargo e atribuições incompatíveis com a surdez, além da ausência de acessibilidade adequada nas provas. Ao final, oito candidatos ouvintes foram aprovados, evidenciando uma prática que, além de distorcer o papel do instrutor de Libras, buscou reduzir custos salariais ao “rebaixar” a função de intérprete a um cargo de menor remuneração. A análise aponta para a manutenção de uma lógica ouvintista e economicista, em detrimento da construção de uma política bilíngue real para surdos nos anos iniciais. Assim, concluímos que o concurso representou uma oportunidade perdida de consolidar a presença de professores surdos na rede municipal, fragilizando o direito linguístico das crianças surdas. Contudo, defendemos a necessidade de redefinir os editais futuros, garantindo cargos de professor surdo de Libras, com formação superior e remuneração compatível, e de valorizar a atuação conjunta de intérpretes e professores surdos, reconhecendo suas funções distintas e indispensáveis.

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Biografía del autor/a

kamilla Fonseca Lemes, Instituto Federal de Educação, Ciências e Tecnologia de Goiás - IFG

Doutoranda em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências e Matemática do Instituto Federal de Goiás (IFG). Mestre em Educação pelo IFG. Possui especialização em Libras, Educação Especial e Inclusiva, e Perícia Ambiental. Graduada em Letras/Libras pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e em Biologia pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-Goiás). Atuou por mais de 13 anos como intérprete educacional e como tutora a distância da disciplina Ensino da Libras na Universidade Federal de Goiás, vinculada ao CIAR-UFG. Também exerceu a função de primeira secretária da Associação dos Profissionais Intérpretes e Guias-Intérpretes de Língua de Sinais do Estado de Goiás (APILGO). Atualmente, é docente da disciplina de Libras, lecionando para turmas do Ensino Médio e Ensino Superior no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás - Câmpus Jataí.

Citas

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Publicado

2026-06-01

Cómo citar

DE ALMEIDA SILVA, Thábio; FONSECA LEMES, Kamilla. Instrutor, professor e intérprete de libras: disputas de função no concurso público de Jataí (2019): ROLE DISPUTES IN THE JATAÍ PUBLIC CONTEST (2019). Itinerarius Reflectionis, Jataí-GO., v. 22, n. Unico, p. 1–11, 2026. DOI: 10.69843/rir.v22iUnico.77183. Disponível em: https://revistas.ufj.edu.br/rir/article/view/77183. Acesso em: 2 jun. 2026.

Número

Sección

Artigos Livres